quarta-feira, 20 de agosto de 2014

EM QUE VIAS... I Vias repletas de saudades, Vias completas e vazias, Vias, à noite, a lua nascente, Vias, mas não sabias Que o medo colore o desejo Com matizes proibidas... Vias, vielas, guias, Caminhos que se concluem, Olhares vazios e escassos... Vias que o sofrimento É uma via? Havia o olhar que via, E previa feito guia o trajeto, Destinos trafegantes e incertos, Vozes sem timbre, Atos indeléveis, Imagens inacabadas de sonhos impensados... II O oco da boca, O toco, a toca, O foco, a foca, O troco, a troca. A intenção que pretende explicar Aquilo que se esconde. A invenção que pretende superar Aquilo que não se responde. III Existir, Independente de portar, ter, haver. Ser e estar no mundo, Com o mundo, Para o mundo, Este corpo etéreo e profundo, Conexo, anexo, perplexo, Reflexo das imagens recriadas pelo instinto Motor e móvel do desejo inerente Ao próprio movimento gratuito. Desistir, Incontinente Displicente Indecente Formalmente. Apenas abrir mão do imaginário Que, previamente estabelecido como totalidade, Não se presta aos processos construtivos de ser. IV Eis a jornada por cumprir, A que não escolhi e tampouco esquecerei, E eu, que via a via que havia, Corrompi meus passos, Confundi meus espaços, Concentrei em meus braços, Abracei-me em abraços,. E nesses ninhos, Meu semblante sorriu incontinente, E o corpo contínuo de minha gente Vibrou, Dormiu, Amou, Sentiu, Chorou, Ruiu, Calou... Depois, refletidamente, Esqueci de meu desejo mais profundo, Assumindo a humana idade Da humanidade anacrônica... Marco, 18/09/2011

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Hoje

Hoje
e só hoje,
resolvi que não sou mais eu,
e tudo que ora é meu
doravante será teu,
incluindo meu coração,
minha oração diária,
tuas glândulas mamárias
e aquele olhar despedido...

Hoje,
não amanhã
nem ontem,
só hoje,
desisti de ser teu eu
e o que era teu
não é mais,
e o que à vera pertencesse
àquele de quem esquecestes,
doravante é desperdicio
e des-será um último vício...

Marco, 27 de fevererio de 2012.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Os Pês

Ainda é tarde?
Depois do tempo
Resta o que não se diz,
Intenção velada
Ante o olhar escondido...
Nosso instinto se refaz
Eternamente atual.

Marco
Outono/2011

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

ESTÁVAMOS ASSIM

Estávamos assim, parados,
obras aos pedaços,
vítimas do tempo:
memória relâmpago,
olhar chuvoso.

No ar, a transparência
de quem acaba de nascer.
O pulso,
esfacelado e sem calor.
Idéias perambulavam pela mente,
num itinerário absurdo do desejo.

Estávamos assim
e assim permanecemos longamente,
feito sementes,
distantes...

marco, 11.12.92.

ONDE

A pálpebra quebra-
da.
Horizonte infinito
sem sol.
Como num filme
quadro
a
quadro
As imagens congeladas
gélidas
angelicais
mudas.
Iceberg de sonhos,
ou f u m a ç a de cig a r r o
sem filtro.
Esqueço.
E tudo não passa de tudo.
Olho pro lado
ONDE?
Olho pro olho que olha
lágrimas s
u
s
p e
n
s
a
s num a
b
i
s
m
o
Espelho.

Marco, 15 de fevereiro de 92

BEIJO

Beijo
e já não sei mais
de teu valor.
Antes, soubera,
(na espera...)
o teu sabor!

marco, 14 de abril de 93

O POETA ARIANO SUASSUNA

Suassuna,
assuma
sua sina.
Suada palavra sua,
surdo é o eco
de sua sombra.
Ariano,
de março ou abril,
sua seca sobra.
Braço que compõe salmos.
Sorte,
tuas palavras sopraram-me
os ouvidos:
(suassuuuuuuna ... ssssss)

Assunto sério:
sou só,
e só sou
se só.

Alto,
seu auto compadece.
Soa sua saliva
nas imagens sem espelho,
nas miragens sem conselho,
nos sonetos suassunos
(de serpente ... sssssss....)

marco 16.12.93