quarta-feira, 20 de agosto de 2014
EM QUE VIAS...
I
Vias repletas de saudades,
Vias completas e vazias,
Vias, à noite, a lua nascente,
Vias, mas não sabias
Que o medo colore o desejo
Com matizes proibidas...
Vias, vielas, guias,
Caminhos que se concluem,
Olhares vazios e escassos...
Vias que o sofrimento
É uma via?
Havia o olhar que via,
E previa feito guia o trajeto,
Destinos trafegantes e incertos,
Vozes sem timbre,
Atos indeléveis,
Imagens inacabadas de sonhos impensados...
II
O oco da boca,
O toco, a toca,
O foco, a foca,
O troco, a troca.
A intenção que pretende explicar
Aquilo que se esconde.
A invenção que pretende superar
Aquilo que não se responde.
III
Existir,
Independente de portar, ter, haver.
Ser e estar no mundo,
Com o mundo,
Para o mundo,
Este corpo etéreo e profundo,
Conexo, anexo, perplexo,
Reflexo das imagens recriadas pelo instinto
Motor e móvel do desejo inerente
Ao próprio movimento gratuito.
Desistir,
Incontinente
Displicente
Indecente
Formalmente.
Apenas abrir mão do imaginário
Que, previamente estabelecido como totalidade,
Não se presta aos processos construtivos de ser.
IV
Eis a jornada por cumprir,
A que não escolhi e tampouco esquecerei,
E eu, que via a via que havia,
Corrompi meus passos,
Confundi meus espaços,
Concentrei em meus braços,
Abracei-me em abraços,.
E nesses ninhos,
Meu semblante sorriu incontinente,
E o corpo contínuo de minha gente
Vibrou,
Dormiu,
Amou,
Sentiu,
Chorou,
Ruiu,
Calou...
Depois, refletidamente,
Esqueci de meu desejo mais profundo,
Assumindo a humana idade
Da humanidade anacrônica...
Marco, 18/09/2011
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